Huawei

MPLS L2VC Huawei: Como Configurar VLL entre Switches e Roteadores

MPLS L2VC Huawei: como configurar VLL (pseudowire) entre switches e roteadores

MPLS L2VC Huawei é o circuito ponto a ponto que o comando mpls l2vc cria no VRP: um Layer 2 Virtual Circuit, que o mercado também chama de VLL ou pseudowire e que segue o modelo Martini/PWE3. A porta do cliente em um PE passa a ser a continuação da porta do cliente no outro PE, com a nuvem MPLS no meio. O cliente põe IP nos dois lados, pinga, sobe o BGP dele e enxerga o circuito como um cabo entre as filiais. O exemplo saiu de um circuito real de uma multinacional; troquei nomes, IPs e VC-ID, mas os comandos são os que estão em produção.

No tutorial de VPLS no S6730, o assunto foi a VSI, que junta vários sites numa mesma LAN. Agora é a vez do irmão ponto a ponto, o MPLS L2VC Huawei. Na minha experiência, é o primeiro serviço L2 que um provedor vende para cliente corporativo e também o que menos gera chamado depois de ativado.

O roteiro:

  • Você vai entender em que o L2VC difere da VSI e quando cada um compensa.
  • Cada PE ganha uma loopback /32 anunciada no OSPF, que vira o LSR-ID.
  • Você ativa MPLS, L2VPN e LDP no modo global e na interface de backbone.
  • Os dois PEs fecham uma sessão LDP remota entre as loopbacks.
  • A porta do cliente se amarra ao pseudowire pelo pw-template e pelo VC-ID.
  • No fim, você valida o circuito com os displays do VRP e com o BGP entre os CEs.

Neste tutorial

O que é MPLS L2VC Huawei e quando usar no lugar do VPLS

Cada circuito é identificado por um VC-ID, um número que precisa ser igual nas duas pontas. Os PEs trocam o label do circuito por uma sessão LDP targeted entre as loopbacks, mecanismo descrito na RFC 4447, e o quadro Ethernet do cliente viaja encapsulado conforme a RFC 4448. O PE não aprende MAC nem monta tabela de endereços: tudo o que entra na porta de acesso sai na porta do outro lado do jeito que chegou.

No backbone o pacote carrega dois labels. O externo é o de transporte, do LSP que o LDP construiu até a loopback do PE remoto, e é ele que os roteadores P trocam a cada salto. O interno é o label do VC, que só o PE de destino examina para saber em qual porta entregar o quadro. É a mesma lógica do VPLS, só que sem VSI entre o label e a porta.

L2VC ou VSI: qual usar?

MPLS L2VC Huawei: comparativo entre L2VC (VLL ponto a ponto) e VSI (VPLS multiponto)
L2VC transporta a porta inteira ponto a ponto; a VSI conecta vários sites e aprende MACs.
CritérioL2VC (VLL)VSI (VPLS)
TopologiaPonto a ponto, sempre dois PEsMultiponto, dois ou mais PEs na mesma instância
Aprendizado de MACNão aprende; o quadro só atravessaAprende MAC por AC e por PW, como um switch
AC típicoPorta inteira ou subinterface dot1qVLAN com Vlanif ligada à VSI
TransparênciaEm modo porta leva qualquer ethertype; BPDU e LACP passam se STP, LACP e LLDP estiverem desligados na porta do PEDepende do aprendizado de MAC; protocolos de controle pedem ajuste
Escala e complexidadeUm VC por circuito, fácil de rastrearFull mesh de PWs entre todos os PEs da VSI
Caso de usoL2L dedicado, WAN de multinacional, transporte de portaLAN estendida entre três ou mais sites

Minha regra na hora do projeto: se o comercial chega dizendo que o cliente quer “um cabo entre dois prédios”, é L2VC. Se o pedido é “a mesma VLAN em cinco POPs”, é VSI. Dá para atender o primeiro caso com VPLS, só que você passa a ter tabela MAC para vigiar e um domínio de broadcast para proteger contra loop, tudo isso para ligar duas pontas. Com o pseudowire o problema de camada 2 fica do lado do cliente, que é onde ele deve ficar.

Glossário do MPLS L2VC Huawei

TermoO que significa
PEProvider Edge, o switch ou roteador da operadora onde o circuito nasce e termina.
CECustomer Edge, o equipamento do cliente ligado ao PE.
ACAttachment Circuit, a porta ou subinterface do PE que recebe o tráfego do cliente.
PWPseudowire, o circuito emulado entre dois PEs; no VRP ele aparece como L2VC.
VC-IDNúmero do circuito. Precisa ser igual nas duas pontas, senão o VC fica down.
pw-templateBloco reaproveitável com peer, MTU e control word do pseudowire.
control word4 bytes opcionais entre o label do VC e o quadro, que impedem o caminho de confundir o payload com IP. Precisa ser igual nas duas pontas.
LDP targeted (remote-peer)Sessão LDP entre loopbacks que não precisam ser vizinhas; é por ela que sai o label do VC.
LSPCaminho comutado por label entre os PEs, que fornece o label de transporte.

Cenário: circuito L2L de uma multinacional entre datacenter e filial

MPLS L2VC Huawei: topologia do circuito L2VC (VLL) entre PE-DATACENTER e PE-POP-CENTRO com CEs em BGP
Topologia do circuito: porta inteira do cliente transportada por L2VC (VC-ID 300145) entre dois Huawei S6730.

O MPLS L2VC Huawei deste exemplo liga o PE-DATACENTER, um S6730 no datacenter do cliente, ao PE-POP-CENTRO, também S6730, no POP que atende a filial. Entre os dois roda o backbone MPLS da operadora, que pode ter roteadores P no caminho sem mudar nada na configuração dos PEs, embora no laboratório os dois PEs estejam ligados diretamente pelo /30. Em cada ponta o cliente liga um roteador próprio: o do datacenter usa 172.16.100.1/30 no AS 65010 e o da filial usa 172.16.100.2/30 no AS 65020, com eBGP por dentro do circuito.

ItemPE-DATACENTERPE-POP-CENTRO
Loopback0 / LSR-ID10.60.255.1/3210.60.255.2/32
Uplink de backbone (/30)XGigabitEthernet0/0/24, 10.60.0.1/30XGigabitEthernet0/0/24, 10.60.0.2/30
remote-peerpe-pop-centro (10.60.255.2)pe-datacenter (10.60.255.1)
pw-templatePE-POP-CENTRO, peer 10.60.255.2, mtu 9000, control-wordPE-DATACENTER, peer 10.60.255.1, mtu 9000, control-word
Porta do clienteXGigabitEthernet0/0/10XGigabitEthernet0/0/1
VC-ID300145300145
Limite de bandaSem limite250 Mbps de entrada e de saída

Pré-requisitos para o MPLS L2VC Huawei

  • O switch precisa suportar MPLS L2VPN. Usei S6730-H e S6730S-H, mas confira no Info-Finder da Huawei se a versão do VRP e a licença do seu equipamento liberam VLL.
  • A loopback de cada PE deve ser /32 e estar anunciada no IGP, porque ela é o destino do LSP e o peer do pseudowire.
  • O MTU jumbo tem de valer de ponta a ponta, inclusive nos roteadores P do meio. Basta um salto com 1500 para os quadros grandes do cliente sumirem sem log nenhum.
  • A sessão remote-peer é obrigatória quando os PEs não são vizinhos diretos. Com os dois ligados no mesmo /30, a sessão local resolve, mas eu configuro sempre, porque um dia alguém coloca um P no meio.
  • Guarde um backup da configuração antes de começar.

Atenção: os passos abaixo mexem em interface de backbone, então use janela de manutenção. Para dúvidas de sintaxe do VRP, consulte a lista de comandos para roteadores e switches Huawei.

Passo 1: Loopback e OSPF nos dois PEs

No PE-DATACENTER:

				
					system-view
sysname PE-DATACENTER
ospf 1 router-id 10.60.255.1
 area 0.0.0.0
  quit
 quit
interface LoopBack0
 description LSR-ID-MPLS
 ip address 10.60.255.1 255.255.255.255
 ospf enable 1 area 0.0.0.0
 quit
				
			

No PE-POP-CENTRO:

				
					system-view
sysname PE-POP-CENTRO
ospf 1 router-id 10.60.255.2
 area 0.0.0.0
  quit
 quit
interface LoopBack0
 description LSR-ID-MPLS
 ip address 10.60.255.2 255.255.255.255
 ospf enable 1 area 0.0.0.0
 quit
				
			

A máscara /32 tem motivo. Por padrão o LDP do VRP só cria LSP para rotas de host (lsp-trigger host), então uma loopback anunciada com /24 fica sem label de transporte e o MPLS L2VC Huawei não tem por onde passar. Essa mesma loopback é o endereço que o outro PE usa como peer-address no pw-template e como remote-ip na sessão LDP. Por isso ela tem de ser estável: interface lógica, sempre up.

Passo 2: Ativar MPLS, L2VPN e LDP no switch Huawei

No PE-DATACENTER:

				
					mpls lsr-id 10.60.255.1
mpls
 quit
mpls l2vpn
 quit
mpls ldp
 quit
				
			

No PE-POP-CENTRO:

				
					mpls lsr-id 10.60.255.2
mpls
 quit
mpls l2vpn
 quit
mpls ldp
 quit
				
			
ComandoPara que serve
mpls lsr-idDefine a identidade do LSR, sempre igual à loopback. O VRP exige que venha antes do mpls.
mplsLiga o plano de labels no equipamento.
mpls l2vpnHabilita VLL/PWE3. Sem ele os comandos pw-template e mpls l2vc são recusados pelo CLI.
mpls ldpDistribui os labels de transporte e sinaliza o pseudowire.

Repare que mpls te ficou de fora: o LSP vem do LDP e não há túnel TE neste desenho.

Passo 3: MPLS e LDP na interface de backbone

No PE-DATACENTER:

				
					interface XGigabitEthernet0/0/24
 undo portswitch
 description BACKBONE-PARA-PE-POP-CENTRO
 mtu 9216
 ip address 10.60.0.1 255.255.255.252
 ospf network-type p2p
 ospf enable 1 area 0.0.0.0
 mpls
 mpls mtu 9216
 mpls ldp
 jumboframe enable 12288
 quit
				
			

No PE-POP-CENTRO:

				
					interface XGigabitEthernet0/0/24
 undo portswitch
 description BACKBONE-PARA-PE-DATACENTER
 mtu 9216
 ip address 10.60.0.2 255.255.255.252
 ospf network-type p2p
 ospf enable 1 area 0.0.0.0
 mpls
 mpls mtu 9216
 mpls ldp
 jumboframe enable 12288
 quit
				
			
LinhaEfeito
undo portswitchTira a porta do modo L2 para que ela aceite endereço IP.
mtu 9216Sobe o MTU IP para acompanhar o jumbo.
ospf network-type p2pTrata o /30 como ponto a ponto: não há eleição de DR/BDR e a adjacência fecha mais rápido.
ospf enable 1 area 0.0.0.0Coloca o link na área 0 do processo OSPF 1.
mplsHabilita o encaminhamento por label nesta interface.
mpls mtu 9216Define o MTU dos pacotes rotulados, que carregam os bytes extras dos labels.
mpls ldpAbre a sessão LDP local com o vizinho do link, que monta o LSP de transporte.
jumboframe enable 12288Faz a porta física aceitar quadros de até 12288 bytes.

Se o uplink for um Eth-Trunk, os mesmos comandos vão na interface Eth-Trunk e não nas portas membro. O passo a passo do LACP está em agregação de link na OLT MA5800 e no switch Huawei.

Passo 4: Sessão LDP remota entre os PEs (remote-peer)

No PE-DATACENTER:

				
					mpls ldp remote-peer pe-pop-centro
 remote-ip 10.60.255.2
 quit
				
			

No PE-POP-CENTRO:

				
					mpls ldp remote-peer pe-datacenter
 remote-ip 10.60.255.1
 quit
				
			

Aqui nasce a sessão LDP targeted entre as loopbacks. É por ela que cada PE anuncia ao outro o label do VC e os parâmetros do circuito: MTU, uso de control word e VC type. Se qualquer um desses valores divergir, o VC fica down mesmo com a sessão LDP operacional.

O nome depois de remote-peer vale só no equipamento local e não precisa bater com nada do outro lado. O que importa é o remote-ip apontar para a loopback correta. Em backbone com P no meio esse passo não é opcional: sem a sessão remota o VC nunca sai do estado down, porque os PEs não têm como trocar o label do circuito.

Passo 5: Criar o pw-template com peer, MTU e control word

No PE-DATACENTER o template aponta para a loopback do PE-POP-CENTRO:

				
					pw-template PE-POP-CENTRO
 peer-address 10.60.255.2
 mtu 9000
 control-word
 quit
				
			

No PE-POP-CENTRO, o espelho:

				
					pw-template PE-DATACENTER
 peer-address 10.60.255.1
 mtu 9000
 control-word
 quit
				
			
ParâmetroRegra
pw-templateModelo reutilizável. Os VCs para o mesmo PE remoto usam o mesmo.
peer-addressLoopback do PE remoto.
mtu 9000MTU do PW sinalizado pelo LDP. Igual nas duas pontas.
control-wordLiga o control word, que também precisa ser igual nas duas pontas.

O que o control word faz no pseudowire

São 4 bytes entre o label do PW e o quadro Ethernet do cliente, no formato da RFC 4448, e o primeiro nibble é sempre 0000. Roteadores P com ECMP espiam esse nibble depois da pilha de labels para adivinhar se o payload é IPv4 (4) ou IPv6 (6). Sem control word, ali está o MAC de destino do cliente. Se ele começar com 4 ou 6, o P calcula o hash como se fosse IP e espalha o mesmo fluxo por caminhos diferentes. O cliente vê quadros fora de ordem e ninguém entende por quê.

O campo ainda pode carregar um número de sequência opcional. Custa 4 bytes por quadro, irrisório diante de um MTU de 9216. Se só um PE tiver control-word, o VC não sobe.

Outro circuito para o mesmo POP usa o mesmo pw-template. Só muda o VC-ID na porta.

Passo 6: Aplicar o MPLS L2VC Huawei na porta do cliente

A porta inteira vira o AC: tudo o que o CE mandar, com ou sem tag, entra no PW. No datacenter, sem limite de banda:

				
					interface XGigabitEthernet0/0/10
 undo portswitch
 description CIRCUITO-GLOBALCORP_300145
 mtu 9216
 mpls l2vc pw-template PE-POP-CENTRO 300145
 jumboframe enable 12288
 quit
				
			

Na filial o contrato é de 250 Mbps:

				
					interface XGigabitEthernet0/0/1
 undo portswitch
 description CIRCUITO-GLOBALCORP_300145
 mtu 9216
 mpls l2vc pw-template PE-DATACENTER 300145
 jumboframe enable 12288
 qos lr outbound cir 250000 cbs 31250000
 qos lr inbound cir 250000 cbs 31250000
 quit
				
			
LinhaFunção
undo portswitchA porta deixa de ser L2 e fica sem IP, só como AC.
descriptionCliente e número do circuito.
mtu 9216Aceita os quadros jumbo do cliente.
mpls l2vc pw-templateCria o VC. O VC-ID é igual nas duas pontas e único na rede, de preferência.
jumboframe enable 12288Tamanho máximo de quadro no hardware.
qos lrCIR em kbit/s: 250000 = 250 Mbps. CBS em bytes: 31.250.000 = 250.000.000 bits / 8, ou 1 segundo de tráfego na taxa contratada.

Com a porta inteira como AC, o VC type é Ethernet (raw). Guarde isso: vai importar quando o outro PE for um roteador com subinterface.

Atenção: STP, LACP e LLDP não podem ficar ativos na porta do PE. Os quadros de controle do cliente têm de atravessar o PW sem que o PE os consuma.

Passo 7: Salvar e validar o circuito MPLS L2VC Huawei

Salve nos dois PEs antes de testar. Já perdi circuito em reboot por pular essa linha.

				
					return
save
				
			

Confirme com y quando o switch perguntar. Valide de baixo para cima. Se a rota falha, nem adianta olhar o VC.

OSPF e rota

				
					display ospf peer brief
display ip routing-table 10.60.255.2
				
			

Vizinho em Full e a loopback remota como /32.

Sessão LDP

				
					display mpls ldp session
display mpls ldp remote-peer
				
			
 LDP Session(s) in Public Network
 Codes: LAM(Label Advertisement Mode), SsnAge Unit(DDDD:HH:MM)
 An asterisk (*) before a session means the session is being deleted.
 --------------------------------------------------------------------------
 PeerID             Status      LAM  SsnRole  SsnAge      KASent/Rcv
 --------------------------------------------------------------------------
 10.60.255.2:0      Operational DU   Passive  0000:02:20  562/562
 --------------------------------------------------------------------------
 TOTAL: 1 session(s) Found.

LSP

				
					display mpls lsp
ping lsp ip 10.60.255.2 32
				
			

Ping IP passa e ping lsp falha? Falta label em algum salto.

Estado do VC

				
					display mpls l2vc brief
				
			
 Total LDP VC : 1     1 up       0 down

 *Client Interface     : XGigabitEthernet0/0/10
  Administrator PW     : no
  AC status            : up
  VC State             : up
  Label state          : 0
  Token state          : 0
  VC ID                : 300145
  VC Type              : Ethernet
  session state        : up
  Destination          : 10.60.255.2
  link state           : up
CampoSignificado
AC statusPorta do cliente.
VC StateO pseudowire. Só sobe com parâmetros iguais nos dois PEs.
VC TypeEncapsulamento negociado. Porta inteira dá Ethernet.
session stateSessão LDP com o destino.
DestinationLoopback do PE remoto.
link stateResultado de AC e VC juntos.
				
					display mpls l2vc interface XGigabitEthernet0/0/10
				
			
 *client interface       : XGigabitEthernet0/0/10 is up
  session state          : up
  AC status              : up
  VC state               : up
  VC ID                  : 300145
  VC type                : Ethernet
  destination            : 10.60.255.2
  local VC label         : 1027      remote VC label      : 1029
  local forwarding state : forwarding
  remote forwarding state: forwarding
  link state             : up
  local VC MTU           : 9000      remote VC MTU        : 9000
  local control word     : enable    remote control word  : enable
  PW template name       : PE-POP-CENTRO
  VC tunnel/token info   : 1 tunnels/tokens
    NO.0  TNL type       : lsp   , TNL ID : 0x48000040
  create time            : 0 days, 2 hours, 17 minutes, 33 seconds
  up time                : 0 days, 2 hours, 15 minutes, 10 seconds

Aqui eu confiro MTU local igual ao remoto, control word enable dos dois lados e os dois labels. Sem remote VC label, o outro PE ainda não anunciou o VC.

				
					display pw-template
				
			
 Total PW template number : 1
 PW Template Name : PE-POP-CENTRO
 Peer IP          : 10.60.255.2
 Tunnel Policy    : --
 CtrlWord         : Enable
 MTU              : 9000
 Total PW number  : 1

Rate limit

				
					display qos lr inbound interface XGigabitEthernet0/0/1
display qos lr outbound interface XGigabitEthernet0/0/1
				
			

No PE-POP-CENTRO devem aparecer CIR 250000 e CBS 31250000 nos dois sentidos.

Teste na ponta do cliente

Dois roteadores fazem o papel dos CEs, com eBGP entre eles:

				
					system-view
sysname CE-GLOBALCORP-DC
interface GigabitEthernet0/0/1
 description LINK-L2VC-OPERADORA
 mtu 9000
 ip address 172.16.100.1 255.255.255.252
 quit
bgp 65010
 router-id 172.16.100.1
 peer 172.16.100.2 as-number 65020
 peer 172.16.100.2 description CE-REMOTO-VIA-L2VC
 quit
				
			
				
					system-view
sysname CE-GLOBALCORP-FILIAL
interface GigabitEthernet0/0/1
 description LINK-L2VC-OPERADORA
 mtu 9000
 ip address 172.16.100.2 255.255.255.252
 quit
bgp 65020
 router-id 172.16.100.2
 peer 172.16.100.1 as-number 65010
 peer 172.16.100.1 description CE-REMOTO-VIA-L2VC
 quit
				
			

No CE-GLOBALCORP-DC:

				
					ping 172.16.100.2
display bgp peer
				
			
  PING 172.16.100.2: 56  data bytes, press CTRL_C to break
    Reply from 172.16.100.2: bytes=56 Sequence=1 ttl=255 time=2 ms
    Reply from 172.16.100.2: bytes=56 Sequence=2 ttl=255 time=1 ms
    Reply from 172.16.100.2: bytes=56 Sequence=3 ttl=255 time=1 ms
    Reply from 172.16.100.2: bytes=56 Sequence=4 ttl=255 time=1 ms
    Reply from 172.16.100.2: bytes=56 Sequence=5 ttl=255 time=1 ms

  --- 172.16.100.2 ping statistics ---
    5 packet(s) transmitted
    5 packet(s) received
    0.00% packet loss
    round-trip min/avg/max = 1/1/2 ms

 BGP local router ID : 172.16.100.1
 Local AS number : 65010
 Total number of peers : 1                 Peers in established state : 1

  Peer            V          AS  MsgRcvd  MsgSent  OutQ  Up/Down       State  PrefRcv
  172.16.100.2    4       65020       42       40     0 00:18:05 Established        0

O ttl=255 mostra que, para o cliente, os dois CEs estão no mesmo segmento. Se o BGP fecha, o circuito está entregue.

MPLS L2VC em roteadores Huawei (NetEngine e AR)

A base do MPLS L2VC Huawei (lsr-id, mpls, mpls l2vpn, mpls ldp, remote-peer e pw-template) não muda. Muda o AC.

Porta inteira no roteador

				
					interface GigabitEthernet0/1/0
 undo shutdown
 description CIRCUITO-GLOBALCORP_300145
 mtu 9216
 mpls l2vc pw-template PE-DATACENTER 300145
 quit
				
			

Em NetEngine e nas portas WAN do AR a interface já é L3; em porta LAN de AR, aplique undo portswitch antes. Confira também o range de MTU do seu modelo de AR antes de subir para 9216.

Só uma VLAN: subinterface dot1q

				
					interface GigabitEthernet0/1/0.100
 vlan-type dot1q 100
 mtu 9000
 description CIRCUITO-GLOBALCORP_300145-VLAN100
 mpls l2vc 10.60.255.1 300145 control-word raw
 quit
				
			

vlan-type dot1q 100 amarra a subinterface à tag 100. O VC usa a forma curta mpls l2vc <peer> <vc-id> control-word, sem template. O raw tira a tag antes de o quadro entrar no PW, então o VC type fica Ethernet e casa com a porta inteira do switch. Sem pw-template, o MTU do PW vem do MTU da interface; por isso a subinterface leva mtu 9000, igual ao lado do switch. Com muitas VLANs no mesmo circuito, eu partiria para QinQ.

Na interoperabilidade entre switch e roteador, VC-ID, VC type (Ethernet ou VLAN), MTU e control word precisam ser iguais nas duas pontas. Senão o display mpls l2vc mostra VC down com sessão up.

Configuração completa do MPLS L2VC Huawei (para copiar)

Troque IPs, portas, nomes e VC-ID pelos da sua rede.

PE-DATACENTER

				
					system-view
sysname PE-DATACENTER
ospf 1 router-id 10.60.255.1
 area 0.0.0.0
  quit
 quit
interface LoopBack0
 description LSR-ID-MPLS
 ip address 10.60.255.1 255.255.255.255
 ospf enable 1 area 0.0.0.0
 quit

mpls lsr-id 10.60.255.1
mpls
 quit
mpls l2vpn
 quit
mpls ldp
 quit

interface XGigabitEthernet0/0/24
 undo portswitch
 description BACKBONE-PARA-PE-POP-CENTRO
 mtu 9216
 ip address 10.60.0.1 255.255.255.252
 ospf network-type p2p
 ospf enable 1 area 0.0.0.0
 mpls
 mpls mtu 9216
 mpls ldp
 jumboframe enable 12288
 quit

mpls ldp remote-peer pe-pop-centro
 remote-ip 10.60.255.2
 quit

pw-template PE-POP-CENTRO
 peer-address 10.60.255.2
 mtu 9000
 control-word
 quit

interface XGigabitEthernet0/0/10
 undo portswitch
 description CIRCUITO-GLOBALCORP_300145
 mtu 9216
 mpls l2vc pw-template PE-POP-CENTRO 300145
 jumboframe enable 12288
 quit
return
save
				
			

PE-POP-CENTRO

				
					system-view
sysname PE-POP-CENTRO
ospf 1 router-id 10.60.255.2
 area 0.0.0.0
  quit
 quit
interface LoopBack0
 description LSR-ID-MPLS
 ip address 10.60.255.2 255.255.255.255
 ospf enable 1 area 0.0.0.0
 quit

mpls lsr-id 10.60.255.2
mpls
 quit
mpls l2vpn
 quit
mpls ldp
 quit

interface XGigabitEthernet0/0/24
 undo portswitch
 description BACKBONE-PARA-PE-DATACENTER
 mtu 9216
 ip address 10.60.0.2 255.255.255.252
 ospf network-type p2p
 ospf enable 1 area 0.0.0.0
 mpls
 mpls mtu 9216
 mpls ldp
 jumboframe enable 12288
 quit

mpls ldp remote-peer pe-datacenter
 remote-ip 10.60.255.1
 quit

pw-template PE-DATACENTER
 peer-address 10.60.255.1
 mtu 9000
 control-word
 quit

interface XGigabitEthernet0/0/1
 undo portswitch
 description CIRCUITO-GLOBALCORP_300145
 mtu 9216
 mpls l2vc pw-template PE-DATACENTER 300145
 jumboframe enable 12288
 qos lr outbound cir 250000 cbs 31250000
 qos lr inbound cir 250000 cbs 31250000
 quit
return
save
				
			

Problemas comuns: VC down no MPLS L2VC Huawei

O que mais vejo em campo é VC down com sessão up. Quase sempre é parâmetro divergente.

SintomaCausaSolução
VC down, session upMTU do PW diferente.Mesmo mtu nos dois templates.
VC down, session upControl word num lado só.Igualar control-word.
VC downVC-ID diferente.Mesmo número nos dois PEs.
VC downVC type Ethernet de um lado, VLAN do outro.raw na subinterface.
AC status downPorta física down ou faltou undo portswitch.Cabo, óptico e modo da porta.
session state downSem rota para a loopback ou remote-ip errado.OSPF e remote-peer.
mpls l2vc rejeitadoSem mpls l2vpn ou porta em modo L2.Habilitar e aplicar undo portswitch.
Ping pequeno passa, grande falhaMTU ou jumbo faltando em algum salto, inclusive P.Corrigir o MTU no caminho.
BGP do cliente oscilaCBS pequeno, CIR abaixo do contratado ou CRC na porta.Revisar qos lr e contadores.

Boas práticas para MPLS L2VC Huawei em produção

  • Use como VC-ID o número do circuito no sistema comercial.
  • Escreva na description o cliente e o circuito.
  • Mantenha um pw-template por PE remoto.
  • Documente o MTU padrão da rede: 9000 no PW, 9216 na porta.
  • Aplique rate limit nas duas direções, não só na saída.
  • Monitore com display mpls l2vc e trap SNMP, e salve com backup depois de cada ativação.

Perguntas frequentes sobre MPLS L2VC Huawei

Qual a diferença entre L2VC (VLL) e VPLS (VSI) no Huawei?

O L2VC liga dois pontos e não aprende MAC: o que entra num PE sai no outro. A VSI do VPLS funciona como um switch virtual entre três ou mais sites. Para matriz e uma filial, fico com o L2VC.

O control word é obrigatório no MPLS L2VC Huawei?

Não, mas tem de ser igual nas duas pontas, senão o VC fica down. Eu ligo sempre; com ECMP ou LAG no core é onde faz diferença de verdade, porque o hash deixa de desordenar os quadros do cliente.

Posso transportar só uma VLAN em vez da porta inteira?

Pode: no roteador, subinterface dot1q; no switch, mpls l2vc aplicado na Vlanif da VLAN. Se o cliente precisa de várias VLANs, a porta inteira já leva todas. QinQ entra quando a porta é compartilhada com outros serviços, e tem tutorial próprio aqui no blog.

Funciona L2VC entre um switch S6730 e um roteador NetEngine ou AR?

Funciona, desde que VC-ID, VC type, MTU e control word sejam iguais nas duas pontas. A falha típica é a subinterface do roteador sem raw anunciando VC type VLAN.

Por que usar MTU 9000 no pw-template e 9216 na porta?

O 9000 é o MTU que o LDP sinaliza e precisa ser igual nas duas pontas. Os 9216 da porta e do core deixam folga para labels, control word e cabeçalho Ethernet.

O cliente consegue ver ou alterar algo do MPLS?

Não. Ele enxerga um cabo entre as duas pontas. BGP, OSPF e LACP dos CEs atravessam o PW, desde que a porta do PE não rode STP, LACP ou LLDP.

Conclusão

Depois que loopbacks, LDP e template estão de pé, cada cliente novo de MPLS L2VC Huawei entre os mesmos POPs custa meia dúzia de linhas na porta. Quando quebra, diagnostique na ordem: rota, sessão, parâmetros do VC, AC.

A sinalização do PW por LDP está na RFC 4447; Ethernet sobre MPLS e o control word, na RFC 4448. Comandos por modelo e versão ficam no suporte Huawei. Montou o MPLS L2VC Huawei em outro modelo e a saída veio diferente? Conte nos comentários.

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Sobre o autor

Ivan Alves

Especialista em redes de provedores (ISP)

Ivan Alves trabalha há mais de 15 anos com redes de provedores de internet, do NOC ao backbone e à borda BGP. Coordena infraestrutura e tecnologia em um provedor regional e escreve aqui os tutoriais que gostaria de ter encontrado quando começou: comandos testados, cenário explicado e o porquê de cada linha.

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