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MPLS L3VPN Huawei: Como Configurar VRF com BGP VPNv4 no NE8000, NE40 e S6730

MPLS L3VPN Huawei: como configurar VRF com BGP VPNv4 no NE8000, NE40 e S6730

MPLS L3VPN Huawei é o serviço em que o PE da operadora mantém uma tabela de rotas separada para cada cliente, a VRF (no VRP ela se chama vpn-instance), e troca essas rotas com os outros PEs por MP-BGP sobre o mesmo backbone MPLS que já carrega a internet.

O modelo está descrito na RFC 4364, e é ele que está por trás do produto que o comercial vende como “VPN IP” ou “rede privada” para a empresa com matriz e várias filiais. Nenhum cliente enxerga o outro, mesmo com endereçamento igual.

Este é o terceiro texto da série de MPLS no VRP. Depois do VPLS no S6730 e do L2VC ponto a ponto, que entregam camada 2, chegou a vez da camada 3.

Tenho NE8000, NE40 e S6730 rodando MPLS e LDP, mas nunca tinha colocado VRF de cliente em nenhum deles, então montei o laboratório do zero. O cenário tem exatamente esses três modelos e duas VRFs com a mesma rede 192.168.10.0/24 no site de São Paulo, de propósito, para provar o isolamento. Escrevi pensando em quem opera provedor e vai ativar o primeiro cliente de MPLS L3VPN Huawei.

O roteiro:

  • Entenda o que são VRF, RD, RT e VPNv4 e o que cada um decide.
  • Compare L3VPN com L2VC e VPLS para saber quando vender cada serviço.
  • Conheça a topologia do laboratório, com os IPs de cada nó e de cada VRF.
  • Crie as vpn-instances e coloque as interfaces dos clientes dentro delas.
  • Feche o MP-BGP VPNv4 entre as loopbacks dos PEs e ligue os CEs por eBGP ou rota estática.
  • Valide o MPLS L3VPN Huawei com os displays do VRP e o ping de ponta a ponta.

Neste tutorial

O que é MPLS L3VPN Huawei: VRF, RD, RT e VPNv4

A VRF é uma tabela de roteamento própria, com interfaces próprias. As rotas aprendidas por uma interface vinculada à vpn-instance ficam na tabela daquela VRF, separadas da global e das de outros clientes. Por isso dois clientes podem usar 192.168.10.0/24 no mesmo PE sem conflito.

O problema aparece quando essas rotas precisam atravessar o backbone. O BGP comum só conhece prefixo IPv4, e dois 192.168.10.0/24 iguais seriam tratados como a mesma rota. O Route Distinguisher resolve isso: são 8 bytes colados na frente do prefixo, e a combinação RD:IPv4 forma uma rota VPNv4 única. O RD só diferencia; ele não decide em qual VRF a rota entra do outro lado.

Quem decide é o Route Target, uma extended community que viaja junto com a rota. Cada VRF exporta suas rotas com um ou mais RTs e importa as rotas que chegam com os RTs listados no import. Se o RT exportado pelo PE-SP não estiver no import da VRF no PE-FILIAL, a rota chega ao PE e é descartada, mesmo com a sessão BGP perfeita.

O transporte dessas rotas é o MP-BGP, a extensão multiprotocolo da RFC 4760, na família VPNv4. Além do prefixo e dos RTs, cada anúncio leva um label de VPN escolhido pelo PE que originou a rota.

No encaminhamento, o pacote do cliente sai do PE com dois labels: o externo é o de transporte, do LSP que o LDP montou até a loopback do PE remoto, e o interno é o de VPN, que diz ao PE de destino em qual VRF entregar.

Cada P intermediário troca o label de transporte; o penúltimo salto o retira (PHP, padrão do LDP na Huawei), e o PE de destino recebe só o label da VPN. Neste lab o P-CORE é o penúltimo salto para os dois PEs.

O P não roda BGP VPNv4 e não tem VRF, e é isso que deixa o MPLS L3VPN Huawei escalável: o núcleo não cresce junto com o número de clientes.

L3VPN Huawei: como RD, RT e a pilha de labels levam o pacote do cliente pela VRF
O pacote do cliente ganha o label da VPN e o label de transporte do LDP.
PerguntaRD (Route Distinguisher)RT (Route Target)
FunçãoTornar o prefixo único dentro do BGP (RD:IPv4 vira rota VPNv4)Decidir quais VRFs exportam e importam cada rota
Formato8 bytes, escrito como ASN:número ou IP:número (ex.: 64500:101)Extended community de 8 bytes, no mesmo formato (ex.: 64500:101)
Onde apareceroute-distinguisher dentro da ipv4-family da vpn-instance e na frente de cada prefixo VPNv4vpn-target com export-extcommunity ou import-extcommunity; viaja como atributo da rota
Precisa ser igual nos PEs?Não. Neste lab é igual por VRF; RD diferente por PE ajuda quando um site tem dois PEsO RT exportado de um lado precisa estar no import do outro
Pode repetir entre VRFs?Não no mesmo PE: cada vpn-instance tem RD próprioPode, e é assim que se monta extranet e serviço compartilhado
Erro típicoAchar que RD igual faz as VRFs se enxergaremConfigurar só export ou só import e a rota não entrar na VRF remota
TermoO que é na prática
VRF / vpn-instanceTabela de rotas isolada no PE, com as interfaces do cliente vinculadas a ela
PE (Provider Edge)Roteador da operadora onde o cliente se conecta; guarda as VRFs e roda BGP VPNv4
P (Provider)Roteador do núcleo; só roda IGP e LDP; troca o label de transporte ou, no penúltimo salto, o retira
CE (Customer Edge)Roteador ou firewall do cliente, ligado ao PE por um link IP
RDTorna a rota única no BGP
RTControla import e export
VPNv4Família do MP-BGP que carrega RD, prefixo IPv4, RTs e label de VPN
Label de VPNLabel interno anunciado pelo PE de origem; aponta a VRF de destino
Label de transporteLabel externo, do LSP LDP até a loopback do PE remoto; sai no penúltimo salto (PHP)
PE-CERoteamento entre PE e CE dentro da VRF: estática, eBGP, OSPF ou outro IGP

L3VPN, L2VC ou VPLS: quando usar cada um

CritérioL3VPN (VRF)L2VC (VLL)VPLS (VSI)
Camada entregueCamada 3: link IP roteado em cada siteCamada 2 ponto a pontoCamada 2 multiponto
Quem roteiaA operadora participa do roteamento do cliente no PEO cliente, entre os próprios equipamentosO cliente, sobre uma LAN estendida
TopologiaQualquer site fala com qualquer site; hub-and-spoke por RTSempre dois pontosVários sites no mesmo domínio de broadcast
Escala de sitesSite novo pede a VRF só no PE daquele siteUm circuito por par de sitesFull mesh de PWs entre os PEs da VSI
Sobreposição de IPEntre clientes, sim; dentro da mesma VRF, nãoNão importa, a operadora não olha o IPNão importa, a operadora não olha o IP
Protocolos do clienteIP unicast; multicast exige MVPN à parteQualquer ethertype em modo portaEthernet, com broadcast e multicast inundados
Operação e chamadosA operadora vê as rotas e testa com ping por VRFPouco para vigiar; problema de L3 fica com o clienteTabela MAC, loops e tempestade de broadcast
Caso típicoEmpresa com matriz e várias filiaisL2L dedicado entre dois prédiosMesma VLAN em vários POPs

Para o provedor, o MPLS L3VPN Huawei resolve mais que a VPN vendida para empresa:

  • A VPN corporativa multi-site é o uso óbvio, com cada cliente numa VRF e todas as filiais roteando entre si.
  • A gerência dos equipamentos e das CPEs pode ficar numa VRF própria, fora da tabela de internet.
  • O CGNAT e os serviços internos, como RADIUS e DNS recursivo, podem ser isolados em VRFs separadas.
  • O mesmo acesso pode entregar internet na tabela global e rede privada numa subinterface dentro da VRF.
  • Uma extranet deixa vários clientes consumirem um serviço compartilhado sem que um enxergue o outro.

A regra que eu adotaria: cliente com três filiais ou mais que quer roteamento entre elas vai para L3VPN, em vez de costurar circuitos L2 para o cliente montar a malha. Quando o pedido é um cabo entre dois pontos, com o cliente rodando o próprio roteamento, L2VC. O MPLS L3VPN Huawei tende a dar mais trabalho no primeiro cliente e bem menos do segundo em diante, porque o backbone não muda.

Cenário do laboratório: NE8000, NE40 e S6730 com duas VRFs

MPLS L3VPN Huawei: topologia com PE-SP NE8000, P-CORE NE40 e PE-FILIAL S6730 e as VRFs CORP-ALFA e CORP-BETA
Topologia do laboratório: duas VRFs com o mesmo prefixo 192.168.10.0/24 isoladas pelo MPLS L3VPN.

O backbone é o mais simples que ainda mostra o papel de cada equipamento: dois PEs e um P no meio, AS 64500, OSPF na área 0 e LDP em todos os enlaces. O NE8000 M4 faz o PE de São Paulo, o NE40E fica no núcleo sem nenhuma configuração de cliente, e o S6730-H faz o PE da filial.

Usar switch como PE é comum na borda de operadora regional, e o laboratório deixa à mostra as diferenças de sintaxe entre o VRP8 dos roteadores e o VRP5 do switch.

NóModeloVRPPapelLoopback0Uplinks
PE-SPNE8000 M4VRP8PE dos sites SP das duas VRFs10.70.255.1/32GigabitEthernet0/1/0 10.70.0.1/30 (BACKBONE-PARA-P-CORE)
P-CORENE40EVRP8P: só OSPF e LDP, sem VRF e sem BGP10.70.255.3/32GigabitEthernet0/1/0 10.70.0.2/30 (BACKBONE-PARA-PE-SP)
GigabitEthernet0/1/1 10.70.0.5/30 (BACKBONE-PARA-PE-FILIAL)
PE-FILIALS6730-HVRP5PE dos sites filial das duas VRFs10.70.255.2/32XGigabitEthernet0/0/24 10.70.0.6/30 (BACKBONE-PARA-P-CORE)
VRFRDRT (import e export)Site SP (PE-SP)Site filial (PE-FILIAL)PE-CE
CORP-ALFA64500:10164500:101GigabitEthernet0/1/2.101: PE 172.31.101.1/30, CE-ALFA-SP 172.31.101.2, AS 65101
LAN 192.168.10.0/24
Vlanif101: PE 172.31.101.5/30, CE-ALFA-FILIAL 172.31.101.6, AS 65102
LAN 192.168.20.0/24
eBGP (AS 65101 e 65102 contra o AS 64500)
CORP-BETA64500:10264500:102GigabitEthernet0/1/2.102: PE 172.31.102.1/30, CE-BETA-SP 172.31.102.2
LAN 192.168.10.0/24
Vlanif102: PE 172.31.102.5/30, CE-BETA-FILIAL 172.31.102.6
LAN 192.168.30.0/24
Rota estática no PE para a LAN do CE, rota default no CE

CORP-ALFA e CORP-BETA usam 192.168.10.0/24 no site SP de propósito. Os dois prefixos entram no mesmo PE-SP, cada um na sua VRF, e saem no BGP como rotas VPNv4 diferentes por causa do RD. Qualquer vazamento entre os clientes aparece na hora.

Pré-requisitos e diferenças entre VRP8 e VRP5

  • Antes do MPLS L3VPN Huawei, o backbone MPLS precisa estar funcionando, com loopback /32 anunciada no IGP e LSP LDP ativo entre os PEs.
  • A versão e a licença de cada PE precisam suportar L3VPN.
  • O S6730-H suporta BGP/MPLS IP VPN, mas a versão do VRP e a licença do seu equipamento devem ser checadas na documentação da Huawei.
  • A primeira ativação deve acontecer numa janela de manutenção.

O MTU do backbone também entra na conta. Com dois labels, cada pacote do cliente ganha 8 bytes no núcleo, e um enlace com MTU 1500 passa a descartar ou fragmentar pacote cheio. Entre VRP8 e VRP5, a lógica do MPLS L3VPN Huawei é a mesma; muda a forma de aplicar e de montar a interface do cliente.

PontoVRP8 (NE8000, NE40)VRP5 (S6730-H)
Aplicar configuraçãoNada vale até o commitCada comando vale assim que é digitado; não existe commit
Gravar para o bootsave depois do commitsave
Interface do clienteSubinterface com vlan-type dot1qVlanif ligada à VRF e porta do cliente em trunk
Porta físicaJá é L3 por padrãoÉ L2 por padrão; undo portswitch para virar porta roteada
Comandos displaydisplay ip vpn-instance, display bgp vpnv4 all peer e afinsOs mesmos, com saída em formato muito parecido
Onde conferir licençadisplay license e display versiondisplay license e display version

Atenção: se o roteador já roda BGP, entre no AS que já existe e não cole o router-id do exemplo: trocar o router ID reinicia todas as sessões BGP do equipamento, inclusive as de trânsito.

Para os comandos básicos do dia a dia, consulte a lista de comandos para roteadores e switches Huawei.

Passo 1: Backbone MPLS pronto (revisão rápida)

O transporte é o mesmo do tutorial de VPLS no S6730 e do post do L2VC: loopback /32, OSPF na área 0, LDP no core e MTU 9216. Se isso já roda na sua rede, pule para o Passo 2.

No PE-SP (NE8000 M4):

				
					system-view
sysname PE-SP
interface LoopBack0
 description LSR-ID-MPLS
 ip address 10.70.255.1 255.255.255.255
 quit
ospf 1 router-id 10.70.255.1
 area 0.0.0.0
  quit
 quit
interface LoopBack0
 ospf enable 1 area 0.0.0.0
 quit
mpls lsr-id 10.70.255.1
mpls
 quit
mpls ldp
 quit
interface GigabitEthernet0/1/0
 undo shutdown
 description BACKBONE-PARA-P-CORE
 mtu 9216
 ip address 10.70.0.1 255.255.255.252
 ospf network-type p2p
 ospf enable 1 area 0.0.0.0
 mpls
 mpls ldp
 quit
commit
				
			

No P-CORE (NE40E), único bloco dele:

				
					system-view
sysname P-CORE
interface LoopBack0
 description LSR-ID-MPLS
 ip address 10.70.255.3 255.255.255.255
 quit
ospf 1 router-id 10.70.255.3
 area 0.0.0.0
  quit
 quit
interface LoopBack0
 ospf enable 1 area 0.0.0.0
 quit
mpls lsr-id 10.70.255.3
mpls
 quit
mpls ldp
 quit
interface GigabitEthernet0/1/0
 undo shutdown
 description BACKBONE-PARA-PE-SP
 mtu 9216
 ip address 10.70.0.2 255.255.255.252
 ospf network-type p2p
 ospf enable 1 area 0.0.0.0
 mpls
 mpls ldp
 quit
interface GigabitEthernet0/1/1
 undo shutdown
 description BACKBONE-PARA-PE-FILIAL
 mtu 9216
 ip address 10.70.0.5 255.255.255.252
 ospf network-type p2p
 ospf enable 1 area 0.0.0.0
 mpls
 mpls ldp
 quit
commit
				
			

No PE-FILIAL (S6730-H, VRP5, sem commit):

				
					system-view
sysname PE-FILIAL
interface LoopBack0
 description LSR-ID-MPLS
 ip address 10.70.255.2 255.255.255.255
 quit
ospf 1 router-id 10.70.255.2
 area 0.0.0.0
  quit
 quit
interface LoopBack0
 ospf enable 1 area 0.0.0.0
 quit
mpls lsr-id 10.70.255.2
mpls
 quit
mpls ldp
 quit
interface XGigabitEthernet0/0/24
 undo portswitch
 description BACKBONE-PARA-P-CORE
 mtu 9216
 ip address 10.70.0.6 255.255.255.252
 ospf network-type p2p
 ospf enable 1 area 0.0.0.0
 mpls
 mpls ldp
 jumboframe enable 12288
 quit
				
			

O P-CORE para aqui: não tem VRF nem BGP. Ele só comuta labels (neste lab, retira o de transporte por PHP). No PE-SP, confira o LSP até a loopback do PE-FILIAL:

				
					display mpls lsp
				
			

Tem de aparecer a FEC 10.70.255.2/32 com label de saída. Sem ela, o BGP do Passo 4 sobe, mas as rotas remotas do L3VPN Huawei ficam inválidas por falta de túnel.

Passo 2: Criar a VRF (vpn-instance) no MPLS L3VPN Huawei

No PE-SP:

				
					ip vpn-instance CORP-ALFA
 description VPN-L3-CORP-ALFA
 ipv4-family
  route-distinguisher 64500:101
  vpn-target 64500:101 export-extcommunity
  vpn-target 64500:101 import-extcommunity
  quit
 quit
commit
				
			
				
					ip vpn-instance CORP-BETA
 description VPN-L3-CORP-BETA
 ipv4-family
  route-distinguisher 64500:102
  vpn-target 64500:102 export-extcommunity
  vpn-target 64500:102 import-extcommunity
  quit
 quit
commit
				
			

No PE-FILIAL, igual e sem commit:

				
					ip vpn-instance CORP-ALFA
 description VPN-L3-CORP-ALFA
 ipv4-family
  route-distinguisher 64500:101
  vpn-target 64500:101 export-extcommunity
  vpn-target 64500:101 import-extcommunity
  quit
 quit
				
			
				
					ip vpn-instance CORP-BETA
 description VPN-L3-CORP-BETA
 ipv4-family
  route-distinguisher 64500:102
  vpn-target 64500:102 export-extcommunity
  vpn-target 64500:102 import-extcommunity
  quit
 quit
				
			
LinhaO que faz
ip vpn-instanceCria a VRF. O nome é local, mas igual nos PEs facilita o suporte.
descriptionCliente e contrato.
ipv4-familyFamília IPv4 da VRF, onde ficam RD e RT.
route-distinguisherTorna a rota única no VPNv4. Para trocar, só apagando a família, e isso derruba o cliente.
vpn-target ... export-extcommunityRT colado nas rotas exportadas.
vpn-target ... import-extcommunityRotas com esse RT entram na VRF.
commitSó no VRP8 (NE8000 e NE40E). Sem ele nada vale.

Usei o mesmo RD nos dois PEs por legibilidade. No multihoming de um L3VPN Huawei, RD por PE evita que o route reflector veja as duas rotas da mesma LAN como um prefixo só e descarte o backup.

Passo 3: Colocar a interface do cliente dentro da VRF

No NE8000, cada cliente do L3VPN Huawei entra por uma subinterface dot1q: VLAN 101 na CORP-ALFA, 102 na CORP-BETA.

				
					interface GigabitEthernet0/1/2
 undo shutdown
 description CES-CORPORATIVOS
 quit
interface GigabitEthernet0/1/2.101
 vlan-type dot1q 101
 description CORP-ALFA-SP
 ip binding vpn-instance CORP-ALFA
 ip address 172.31.101.1 255.255.255.252
 quit
commit
				
			
				
					interface GigabitEthernet0/1/2.102
 vlan-type dot1q 102
 description CORP-BETA-SP
 ip binding vpn-instance CORP-BETA
 ip address 172.31.102.1 255.255.255.252
 quit
commit
				
			

No S6730, porta trunk com as duas VLANs e uma Vlanif por VRF:

				
					interface XGigabitEthernet0/0/1
 description CES-CORPORATIVOS
 port link-type trunk
 undo port trunk allow-pass vlan 1
 port trunk allow-pass vlan 101 102
 quit
				
			

Se o cliente precisa entregar várias VLANs no mesmo acesso e elas colidem com VLANs que você já usa no switch, a tradução de VLAN do QinQ resolve antes da Vlanif.

				
					vlan batch 101
interface Vlanif101
 description CORP-ALFA-FILIAL
 ip binding vpn-instance CORP-ALFA
 ip address 172.31.101.5 255.255.255.252
 quit
				
			
				
					vlan batch 102
interface Vlanif102
 description CORP-BETA-FILIAL
 ip binding vpn-instance CORP-BETA
 ip address 172.31.102.5 255.255.255.252
 quit
				
			
LinhaO que faz
vlan-type dot1qTag que o CE envia.
port trunk allow-pass vlanPorta do S6730 levando as VLANs dos clientes.
interface VlanifInterface L3 da VLAN no S6730.
ip binding vpn-instanceMove a interface da tabela global para a VRF.
ip addressIP do PE no /30. Pode repetir em outra VRF.

Atenção: o ip binding vpn-instance vem antes do ip address. Em interface que já tem IP, o binding apaga o endereço e o protocolo configurados nela.

Passo 4: MP-BGP VPNv4 entre os PEs

Esta sessão é o que transporta as rotas do L3VPN Huawei entre os PEs. No PE-SP:

				
					bgp 64500
 router-id 10.70.255.1
 undo default ipv4-unicast
 peer 10.70.255.2 as-number 64500
 peer 10.70.255.2 description PE-FILIAL-VPNV4
 peer 10.70.255.2 connect-interface LoopBack0
 ipv4-family vpnv4
  peer 10.70.255.2 enable
  quit
 quit
commit
				
			

No PE-FILIAL:

				
					bgp 64500
 router-id 10.70.255.2
 undo default ipv4-unicast
 peer 10.70.255.1 as-number 64500
 peer 10.70.255.1 description PE-SP-VPNV4
 peer 10.70.255.1 connect-interface LoopBack0
 ipv4-family vpnv4
  peer 10.70.255.1 enable
  quit
 quit
				
			
LinhaPor que está ali
undo default ipv4-unicastPeer novo não entra sozinho na família IPv4 global.
peer ... as-number 64500Mesmo AS: sessão iBGP.
connect-interface LoopBack0Sessão sai da loopback, a FEC do LSP.
ipv4-family vpnv4Carrega rota, RD, RT e label de VPN.
peer ... enableAtiva o vizinho no VPNv4.

Se o roteador já roda BGP, lembre do aviso de router-id nos pré-requisitos.

Loopback porque a origem da sessão vira o next hop das rotas VPNv4, e o LDP só tem label para a /32. Com undo default ipv4-unicast, a sessão carrega só VPNv4.

Com mais de quatro PEs, a malha completa cresce rápido (dez PEs já são 45 sessões) e entra o route reflector. No RR, dentro de ipv4-family vpnv4, cada PE cliente entra com peer <loopback do PE> enable e peer <loopback do PE> reflect-client, e o bloco leva undo policy vpn-target. Sem ela, o RR, que não tem VRF, descarta todas as rotas e o L3VPN Huawei fica mudo.

Passo 5: Roteamento PE-CE com eBGP e rota estática

Cada VRF do laboratório mostra um jeito de ligar o cliente ao L3VPN Huawei: eBGP na CORP-ALFA, rota estática na CORP-BETA. No PE-SP:

				
					ip route-static vpn-instance CORP-BETA 192.168.10.0 255.255.255.0 172.31.102.2
bgp 64500
 ipv4-family vpn-instance CORP-ALFA
  peer 172.31.101.2 as-number 65101
  peer 172.31.101.2 description CE-ALFA-SP
  quit
 ipv4-family vpn-instance CORP-BETA
  import-route direct
  import-route static
  quit
 quit
commit
				
			

No PE-FILIAL:

				
					ip route-static vpn-instance CORP-BETA 192.168.30.0 255.255.255.0 172.31.102.6
bgp 64500
 ipv4-family vpn-instance CORP-ALFA
  peer 172.31.101.6 as-number 65102
  peer 172.31.101.6 description CE-ALFA-FILIAL
  quit
 ipv4-family vpn-instance CORP-BETA
  import-route direct
  import-route static
  quit
 quit
				
			

Na CORP-ALFA, o que chega do CE por eBGP já vira VPNv4. Na CORP-BETA, import-route static leva a LAN e import-route direct leva o /30 do link PE-CE. Na estática, o vpn-instance logo depois de route-static é obrigatório: sem ele a rota vai para a tabela global e o cliente nunca a enxerga.

Os CEs são roteadores Huawei AR, e nenhum deles sabe que existe um L3VPN Huawei no caminho. Em alguns modelos de AR as portas GE0/0/1 e GE0/0/2 vêm como Layer 2; nesse caso, aplique undo portswitch antes do IP. Os da CORP-ALFA fecham eBGP:

				
					system-view
sysname CE-ALFA-SP
interface GigabitEthernet0/0/1.101
 dot1q termination vid 101
 arp broadcast enable
 description LINK-L3VPN-OPERADORA
 ip address 172.31.101.2 255.255.255.252
 quit
interface GigabitEthernet0/0/2
 description LAN-CE-ALFA-SP
 ip address 192.168.10.1 255.255.255.0
 quit
bgp 65101
 router-id 172.31.101.2
 peer 172.31.101.1 as-number 64500
 ipv4-family unicast
  network 192.168.10.0 255.255.255.0
  peer 172.31.101.1 enable
  quit
 quit
quit
				
			
				
					system-view
sysname CE-ALFA-FILIAL
interface GigabitEthernet0/0/1.101
 dot1q termination vid 101
 arp broadcast enable
 description LINK-L3VPN-OPERADORA
 ip address 172.31.101.6 255.255.255.252
 quit
interface GigabitEthernet0/0/2
 description LAN-CE-ALFA-FILIAL
 ip address 192.168.20.1 255.255.255.0
 quit
bgp 65102
 router-id 172.31.101.6
 peer 172.31.101.5 as-number 64500
 ipv4-family unicast
  network 192.168.20.0 255.255.255.0
  peer 172.31.101.5 enable
  quit
 quit
quit
				
			

Os da CORP-BETA só têm default para o PE:

				
					system-view
sysname CE-BETA-SP
interface GigabitEthernet0/0/1.102
 dot1q termination vid 102
 arp broadcast enable
 description LINK-L3VPN-OPERADORA
 ip address 172.31.102.2 255.255.255.252
 quit
interface GigabitEthernet0/0/2
 description LAN-CE-BETA-SP
 ip address 192.168.10.1 255.255.255.0
 quit
ip route-static 0.0.0.0 0.0.0.0 172.31.102.1
quit
				
			
				
					system-view
sysname CE-BETA-FILIAL
interface GigabitEthernet0/0/1.102
 dot1q termination vid 102
 arp broadcast enable
 description LINK-L3VPN-OPERADORA
 ip address 172.31.102.6 255.255.255.252
 quit
interface GigabitEthernet0/0/2
 description LAN-CE-BETA-FILIAL
 ip address 192.168.30.1 255.255.255.0
 quit
ip route-static 0.0.0.0 0.0.0.0 172.31.102.5
quit
				
			
PE-CEQuando usoA favorContra
EstáticoUma LAN, um link, cliente sem equipe de rede.Nada para negociar.Mudou a LAN, abre chamado. Queda do CE passa despercebida sem BFD.
eBGPVárias redes ou dois links.O cliente anuncia e o PE pode filtrar com peer ... ip-prefix ou route-policy. Failover pelo BGP.Exige alguém que entenda BGP no cliente.
OSPFCliente que já roda OSPF.Sem redistribuição no CE.Processo OSPF por VRF e sham-link em alguns casos.

Passo 6: Validar o MPLS L3VPN Huawei de ponta a ponta

Abaixo, na ordem das dependências, a saída esperada no laboratório, no PE-SP.

VRF, RD, RT e interface

				
					display ip vpn-instance verbose CORP-ALFA
				
			
 VPN-Instance Name and ID : CORP-ALFA, 1
  Interfaces : GigabitEthernet0/1/2.101
 Address family ipv4
  Vrf Status : UP
  Route Distinguisher : 64500:101
  Export VPN Targets : 64500:101
  Import VPN Targets : 64500:101
  Label Policy : label per route
  The ttl-mode Information is : pipe
  Description : VPN-L3-CORP-ALFA

Sessão VPNv4

				
					display bgp vpnv4 all peer
				
			
 BGP local router ID : 10.70.255.1
 Local AS number : 64500
 Total number of peers : 2                 Peers in established state : 2

  Peer            V          AS  MsgRcvd  MsgSent  OutQ  Up/Down       State  PrefRcv
  10.70.255.2     4       64500      148      151     0 02:05:41 Established        3

  Peer of IPv4-family for vpn instance :

 VPN-Instance CORP-ALFA, Router ID 10.70.255.1:
  172.31.101.2    4       65101      139      142     0 02:03:18 Established        1

Tabela VPNv4 com os dois RDs

				
					display bgp vpnv4 all routing-table
				
			
 BGP Local router ID is 10.70.255.1
 Total number of routes from all PE: 6
 Route Distinguisher: 64500:101

        Network            NextHop          MED        LocPrf    PrefVal Path/Ogn

 *>     192.168.10.0/24    172.31.101.2     0                    0       65101i
 *>i    192.168.20.0/24    10.70.255.2      0          100       0       65102i

 Route Distinguisher: 64500:102

        Network            NextHop          MED        LocPrf    PrefVal Path/Ogn

 *>     172.31.102.0/30    0.0.0.0          0                    0       ?
 *>i    172.31.102.4/30    10.70.255.2      0          100       0       ?
 *>     192.168.10.0/24    172.31.102.2     0                    0       ?
 *>i    192.168.30.0/24    10.70.255.2      0          100       0       ?

A 192.168.10.0/24 aparece sob 64500:101 e sob 64500:102: dois clientes, mesma LAN, sem conflito. Quem separa as duas é o RD.

Tabela de cada VRF

				
					display ip routing-table vpn-instance CORP-ALFA
				
			
Routing Table : CORP-ALFA
         Destinations : 6        Routes : 6

Destination/Mask    Proto   Pre  Cost        Flags NextHop         Interface

   172.31.101.0/30  Direct  0    0             D   172.31.101.1    GigabitEthernet0/1/2.101
   172.31.101.1/32  Direct  0    0             D   127.0.0.1       GigabitEthernet0/1/2.101
   172.31.101.3/32  Direct  0    0             D   127.0.0.1       GigabitEthernet0/1/2.101
   192.168.10.0/24  EBGP    255  0             D   172.31.101.2    GigabitEthernet0/1/2.101
   192.168.20.0/24  IBGP    255  0             RD  10.70.255.2     GigabitEthernet0/1/0
255.255.255.255/32  Direct  0    0             D   127.0.0.1       InLoopBack0
				
					display ip routing-table vpn-instance CORP-BETA
				
			
Routing Table : CORP-BETA
         Destinations : 7        Routes : 7

Destination/Mask    Proto   Pre  Cost        Flags NextHop         Interface

   172.31.102.0/30  Direct  0    0             D   172.31.102.1    GigabitEthernet0/1/2.102
   172.31.102.1/32  Direct  0    0             D   127.0.0.1       GigabitEthernet0/1/2.102
   172.31.102.3/32  Direct  0    0             D   127.0.0.1       GigabitEthernet0/1/2.102
   172.31.102.4/30  IBGP    255  0             RD  10.70.255.2     GigabitEthernet0/1/0
   192.168.10.0/24  Static  60   0             RD  172.31.102.2    GigabitEthernet0/1/2.102
   192.168.30.0/24  IBGP    255  0             RD  10.70.255.2     GigabitEthernet0/1/0
255.255.255.255/32  Direct  0    0             D   127.0.0.1       InLoopBack0

Na ALFA, a 192.168.20.0/24 entra como IBGP via 10.70.255.2, pelo LSP. Na BETA ela não aparece, porque tem RT 64500:101: é o isolamento do L3VPN Huawei.

Labels de VPN

				
					display bgp vpnv4 vpn-instance CORP-ALFA routing-table label
				
			
 VPN-Instance CORP-ALFA, Router ID 10.70.255.1:
 Total Number of Routes: 2

        Network            NextHop          In/Out Label

 *>     192.168.10.0       172.31.101.2     32832/NULL
 *>i    192.168.20.0       10.70.255.2      NULL/1027

O Out label 1027 veio do PE-FILIAL e é o label interno, que diz ao S6730 em qual VRF entregar. O externo é o do LDP, que o P-CORE retira antes de o pacote chegar ao S6730.

Ping e tracert

				
					ping -vpn-instance CORP-ALFA -a 172.31.101.1 172.31.101.2
				
			

Sem -vpn-instance o PE busca na tabela global, erro clássico de quem vem do L2VC. Do PE até o site remoto da ALFA o ping falha, e está certo: a ALFA só anuncia LANs, então o CE da filial não tem volta para 172.31.101.1, e o PE-SP não tem rota para 172.31.101.4/30, porque a ALFA não faz import-route direct. O teste que vale é no CE-ALFA-SP, com origem na LAN (192.168.10.1):

				
					ping -c 3 -a 192.168.10.1 192.168.20.1
tracert -a 192.168.10.1 192.168.20.1
				
			
  PING 192.168.20.1: 56  data bytes, press CTRL_C to break
    Reply from 192.168.20.1: bytes=56 Sequence=1 ttl=253 time=3 ms
    Reply from 192.168.20.1: bytes=56 Sequence=2 ttl=253 time=2 ms
    Reply from 192.168.20.1: bytes=56 Sequence=3 ttl=253 time=2 ms

  --- 192.168.20.1 ping statistics ---
    3 packet(s) transmitted
    3 packet(s) received
    0.00% packet loss

 traceroute to  192.168.20.1(192.168.20.1), max hops: 30 ,packet length: 40,press CTRL_C to break
 1 172.31.101.1 2 ms  1 ms  1 ms
 2 172.31.101.5 3 ms  2 ms  2 ms
 3 192.168.20.1 3 ms  2 ms  3 ms

O P-CORE some do tracert e o TTL fica em 253: com ttl-mode pipe o PE de entrada não copia o TTL do IP para o label; o P-CORE não decrementa o TTL do cliente e só os dois PEs aparecem. Do CE-BETA-SP, ping para 192.168.20.1 tem de falhar; se responder, há RT errado em algum PE.

ComandoO que olhar
display ip vpn-instance verboseRD, RTs e a interface do cliente.
display bgp vpnv4 all peerEstablished e PrefRcv acima de zero.
display bgp vpnv4 all routing-tableRemotas com *>i, separadas por RD.
display ip routing-table vpn-instanceRemota como IBGP; rota de outra VRF ausente.
... routing-table labelOut label nas rotas remotas.
ping -vpn-instanceCE local respondendo.
ping e tracert no CELAN a LAN respondendo, core oculto.

Recursos avançados: extranet, limite de rotas e sites com o mesmo AS

Extranet: VRF de serviços compartilhada com clientes

No L3VPN Huawei, extranet é uma questão de RT. Exemplo: DNS e monitoramento do provedor numa VRF SERVICOS, liberada só para alguns clientes. O desenho é hub: a SERVICOS exporta 64500:900 e importa 64500:901. Quem pode falar com ela importa 900 e exporta 901, além do RT próprio. No PE-SP, onde ficam os servidores:

				
					ip vpn-instance SERVICOS
 description VPN-L3-SERVICOS-COMPARTILHADOS
 ipv4-family
  route-distinguisher 64500:900
  vpn-target 64500:900 export-extcommunity
  vpn-target 64500:901 import-extcommunity
  quit
 quit
interface GigabitEthernet0/1/3
 undo shutdown
 description DNS-E-MONITORAMENTO
 ip binding vpn-instance SERVICOS
 ip address 172.20.90.1 255.255.255.0
 quit
bgp 64500
 ipv4-family vpn-instance SERVICOS
  import-route direct
  quit
 quit
commit
				
			

A CORP-ALFA ganha os dois RTs extras nos dois PEs; o 64500:101 continua lá.

				
					ip vpn-instance CORP-ALFA
 ipv4-family
  vpn-target 64500:900 import-extcommunity
  vpn-target 64500:901 export-extcommunity
  quit
 quit
commit
				
			
				
					ip vpn-instance CORP-ALFA
 ipv4-family
  vpn-target 64500:900 import-extcommunity
  vpn-target 64500:901 export-extcommunity
  quit
 quit
				
			

A ALFA passa a receber 172.20.90.0/24 nos dois sites, a SERVICOS recebe as LANs da ALFA, e um cliente continua sem enxergar o outro, porque nenhuma VRF de cliente importa 901.

A CORP-BETA fica de fora porque a LAN dela em SP é 192.168.10.0/24, a mesma da ALFA. Se as duas exportassem 901, a SERVICOS teria dois caminhos para o mesmo prefixo. O BGP escolhe um, e o retorno para o outro cliente vai parar no lugar errado. Para a BETA entrar, renumere a LAN ou faça NAT no CE dela.

Antes de ligar um cliente numa VRF compartilhada, compare os prefixos dele com os que já estão lá. Overlap em extranet não gera alarme: o sintoma é tráfego de um cliente chegando ao outro.

Limite de rotas por VRF

Um CE com BGP mal configurado pode despejar milhares de rotas na VRF. O limite protege a memória do PE:

				
					ip vpn-instance CORP-ALFA
 ipv4-family
  routing-table limit 1000 80
  quit
 quit
commit
				
			

Com routing-table limit 1000 80, o PE gera alarme quando a VRF atinge 80% (800 rotas). Ao chegar em 1.000, para de aceitar rotas novas; as que já estão na tabela continuam valendo. Com simply-alert no lugar do percentual, ele só avisa. Em L3VPN Huawei com clientes em BGP, ponha limite em todas as VRFs.

Para limitar por cliente, na sessão BGP, use peer 172.31.101.2 route-limit 100 dentro da ipv4-family vpn-instance. E, se o contrato define quais redes o cliente anuncia, filtre com ip ip-prefix aplicado no peer.

Sites do cliente com o mesmo AS

No laboratório os CEs da ALFA usam AS 65101 e 65102, mas muito cliente repete o mesmo AS privado em todos os sites. Se os dois sites usassem 65101, a rota de SP chegaria à filial com AS_PATH 64500 65101 e o CE da filial a descartaria. Duas saídas:

  • No PE-FILIAL, peer 172.31.101.6 substitute-as em ipv4-family vpn-instance CORP-ALFA troca o AS do cliente pelo 64500 ao anunciar para aquele CE. O PE-SP precisa do mesmo comando para o CE dele.
  • No CE, peer 172.31.101.5 allow-as-loop faz o roteador aceitar o próprio AS no caminho.
OpçãoOndePrósContras
substitute-asPEO provedor resolve sem depender do cliente.Esconde loops reais; site com backdoor pede SoO.
allow-as-loopCENão muda nada no PE.Depende de quem administra o CE, site a site.

VRF de gerência

Uma VRF GERENCIA tira o acesso aos CPEs da tabela global: SSH, SNMP e syslog passam por ela. No VRP8 dos NE8000 e NE40 já existe a __LOCAL_OAM_VPN__, VRF de sistema da porta de gerência. Não mexa nela. Dê à GERENCIA um RT próprio (64500:950 no plano abaixo) que nenhuma VRF de cliente importe.

L3VPN Huawei numa rede de provedor com BRAS em AS privado

É o caso de muita rede regional: borda em AS público, BRAS em AS privado com eBGP IPv4 para a borda, todos no mesmo OSPF e LDP. Para ter PE de L3VPN Huawei no BRAS, esbarra-se numa limitação: VPNv4 em iBGP exige o mesmo AS, e o equipamento Huawei roda um único AS no BGP.

A saída com menos mudança é VPNv4 em eBGP multihop entre as loopbacks, com connect-interface LoopBack0 e ebgp-max-hop. O encaminhamento funciona porque o OSPF e o LDP comuns já montam o LSP entre as loopbacks; sem esse LSP a rota VPNv4 chega, mas fica inativa. No BRAS, com AS 65020 de exemplo:

				
					bgp 65020
 peer 10.70.255.1 as-number 64500
 peer 10.70.255.1 description PE-SP-VPNV4-EBGP
 peer 10.70.255.1 connect-interface LoopBack0
 peer 10.70.255.1 ebgp-max-hop 10
 ipv4-family unicast
  undo peer 10.70.255.1 enable
  quit
 ipv4-family vpnv4
  peer 10.70.255.1 enable
  quit
 quit
commit
				
			

No PE-SP entra o espelho: peer para a loopback do BRAS com as-number 65020, o mesmo connect-interface e ebgp-max-hop, e peer enable só em ipv4-family vpnv4.

A sessão nova é só VPNv4. O bloco já traz undo peer 10.70.255.1 enable dentro de ipv4-family unicast, então ela não carrega IPv4 mesmo num BRAS sem undo default ipv4-unicast, e as sessões eBGP IPv4 que já existem entre borda e BRAS seguem como estão.

Com vários PEs, feche a sessão eBGP VPNv4 do BRAS com cada PE ou com o route reflector. Se ela ficar só no PE-SP, ele passa a repassar as rotas do BRAS como um ASBR (troca next hop e label) e precisa de undo policy vpn-target para não descartar RTs que ele não importa.

Se a sessão IPv4 entre borda e BRAS já usa essas mesmas loopbacks, não existe sessão nova: ativar o VPNv4 nesse peer derruba e renegocia a sessão, e o IPv4 dos assinantes cai junto. Nesse caso use outro par de endereços (uma segunda loopback) para a sessão VPNv4, ou faça a mudança na janela.

OpçãoPrósContras
iBGP VPNv4 no mesmo ASModelo clássico, igual ao resto deste tutorial.Só funciona se o BRAS já estiver no AS do backbone.
eBGP VPNv4 multihop entre loopbacksNão mexe nas sessões IPv4 atuais; pouca configuração.Mais uma sessão por BRAS; depende do LSP entre loopbacks.
ConfederaçãoSub-ASes internos com comportamento próximo do iBGP.Reconfigura o BGP de todo o backbone para ganhar pouco.
Migrar o BRAS para o AS do backboneDesenho mais limpo no longo prazo.Mexe em todas as sessões e políticas do BRAS, com risco para os assinantes.

Não suba VRF nesse desenho sem testar antes em equipamento de reserva ou num ambiente virtual com imagens VRP8 (NE40E virtual), e sem janela de manutenção. Sessão BGP nova em BRAS com assinantes online não é mudança de horário comercial.

Configuração completa do MPLS L3VPN Huawei (para copiar)

Os três nós com backbone, VRFs, circuito, BGP VPNv4 e PE-CE. Extranet e limite ficam de fora. Lembre do aviso de router-id nos pré-requisitos; save pede confirmação [Y/N].

PE-SP (NE8000 M4, VRP8)

				
					system-view
sysname PE-SP
interface LoopBack0
 description LSR-ID-MPLS
 ip address 10.70.255.1 255.255.255.255
 quit
ospf 1 router-id 10.70.255.1
 area 0.0.0.0
  quit
 quit
interface LoopBack0
 ospf enable 1 area 0.0.0.0
 quit
mpls lsr-id 10.70.255.1
mpls
 quit
mpls ldp
 quit
interface GigabitEthernet0/1/0
 undo shutdown
 description BACKBONE-PARA-P-CORE
 mtu 9216
 ip address 10.70.0.1 255.255.255.252
 ospf network-type p2p
 ospf enable 1 area 0.0.0.0
 mpls
 mpls ldp
 quit
commit

ip vpn-instance CORP-ALFA
 description VPN-L3-CORP-ALFA
 ipv4-family
  route-distinguisher 64500:101
  vpn-target 64500:101 export-extcommunity
  vpn-target 64500:101 import-extcommunity
  quit
 quit
commit

ip vpn-instance CORP-BETA
 description VPN-L3-CORP-BETA
 ipv4-family
  route-distinguisher 64500:102
  vpn-target 64500:102 export-extcommunity
  vpn-target 64500:102 import-extcommunity
  quit
 quit
commit

interface GigabitEthernet0/1/2
 undo shutdown
 description CES-CORPORATIVOS
 quit
interface GigabitEthernet0/1/2.101
 vlan-type dot1q 101
 description CORP-ALFA-SP
 ip binding vpn-instance CORP-ALFA
 ip address 172.31.101.1 255.255.255.252
 quit
commit
interface GigabitEthernet0/1/2.102
 vlan-type dot1q 102
 description CORP-BETA-SP
 ip binding vpn-instance CORP-BETA
 ip address 172.31.102.1 255.255.255.252
 quit
commit

bgp 64500
 router-id 10.70.255.1
 undo default ipv4-unicast
 peer 10.70.255.2 as-number 64500
 peer 10.70.255.2 description PE-FILIAL-VPNV4
 peer 10.70.255.2 connect-interface LoopBack0
 ipv4-family vpnv4
  peer 10.70.255.2 enable
  quit
 quit
commit

ip route-static vpn-instance CORP-BETA 192.168.10.0 255.255.255.0 172.31.102.2
bgp 64500
 ipv4-family vpn-instance CORP-ALFA
  peer 172.31.101.2 as-number 65101
  peer 172.31.101.2 description CE-ALFA-SP
  quit
 ipv4-family vpn-instance CORP-BETA
  import-route direct
  import-route static
  quit
 quit
commit
return
save
				
			

P-CORE (NE40E, VRP8)

				
					system-view
sysname P-CORE
interface LoopBack0
 description LSR-ID-MPLS
 ip address 10.70.255.3 255.255.255.255
 quit
ospf 1 router-id 10.70.255.3
 area 0.0.0.0
  quit
 quit
interface LoopBack0
 ospf enable 1 area 0.0.0.0
 quit
mpls lsr-id 10.70.255.3
mpls
 quit
mpls ldp
 quit
interface GigabitEthernet0/1/0
 undo shutdown
 description BACKBONE-PARA-PE-SP
 mtu 9216
 ip address 10.70.0.2 255.255.255.252
 ospf network-type p2p
 ospf enable 1 area 0.0.0.0
 mpls
 mpls ldp
 quit
interface GigabitEthernet0/1/1
 undo shutdown
 description BACKBONE-PARA-PE-FILIAL
 mtu 9216
 ip address 10.70.0.5 255.255.255.252
 ospf network-type p2p
 ospf enable 1 area 0.0.0.0
 mpls
 mpls ldp
 quit
commit
return
save
				
			

PE-FILIAL (S6730-H, VRP5)

				
					system-view
sysname PE-FILIAL
interface LoopBack0
 description LSR-ID-MPLS
 ip address 10.70.255.2 255.255.255.255
 quit
ospf 1 router-id 10.70.255.2
 area 0.0.0.0
  quit
 quit
interface LoopBack0
 ospf enable 1 area 0.0.0.0
 quit
mpls lsr-id 10.70.255.2
mpls
 quit
mpls ldp
 quit
interface XGigabitEthernet0/0/24
 undo portswitch
 description BACKBONE-PARA-P-CORE
 mtu 9216
 ip address 10.70.0.6 255.255.255.252
 ospf network-type p2p
 ospf enable 1 area 0.0.0.0
 mpls
 mpls ldp
 jumboframe enable 12288
 quit

ip vpn-instance CORP-ALFA
 description VPN-L3-CORP-ALFA
 ipv4-family
  route-distinguisher 64500:101
  vpn-target 64500:101 export-extcommunity
  vpn-target 64500:101 import-extcommunity
  quit
 quit

ip vpn-instance CORP-BETA
 description VPN-L3-CORP-BETA
 ipv4-family
  route-distinguisher 64500:102
  vpn-target 64500:102 export-extcommunity
  vpn-target 64500:102 import-extcommunity
  quit
 quit

interface XGigabitEthernet0/0/1
 description CES-CORPORATIVOS
 port link-type trunk
 undo port trunk allow-pass vlan 1
 port trunk allow-pass vlan 101 102
 quit

vlan batch 101
interface Vlanif101
 description CORP-ALFA-FILIAL
 ip binding vpn-instance CORP-ALFA
 ip address 172.31.101.5 255.255.255.252
 quit

vlan batch 102
interface Vlanif102
 description CORP-BETA-FILIAL
 ip binding vpn-instance CORP-BETA
 ip address 172.31.102.5 255.255.255.252
 quit

bgp 64500
 router-id 10.70.255.2
 undo default ipv4-unicast
 peer 10.70.255.1 as-number 64500
 peer 10.70.255.1 description PE-SP-VPNV4
 peer 10.70.255.1 connect-interface LoopBack0
 ipv4-family vpnv4
  peer 10.70.255.1 enable
  quit
 quit

ip route-static vpn-instance CORP-BETA 192.168.30.0 255.255.255.0 172.31.102.6
bgp 64500
 ipv4-family vpn-instance CORP-ALFA
  peer 172.31.101.6 as-number 65102
  peer 172.31.101.6 description CE-ALFA-FILIAL
  quit
 ipv4-family vpn-instance CORP-BETA
  import-route direct
  import-route static
  quit
 quit
return
save
				
			

Problemas comuns no L3VPN Huawei e como resolver

SintomaCausa provávelComo resolver
Peer VPNv4 não sobeSem rota para a loopback remota ou sem connect-interface.Ping entre loopbacks e conferir o connect-interface.
Rota não entra na VRFExport RT de um PE diferente do import RT do outro.Comparar vpn-target nas duas pontas.
Mesmo RD da VRF em PEs diferentesNão é erro num site com um PE só; em multihoming com route reflector, use RD por PE.Nada a corrigir, desde que os RTs batam.
IP sumiu da interfaceip binding vpn-instance apaga o endereço.Vincular a VRF antes do IP.
Ping falha a partir do PEPing na tabela global.Usar ping -vpn-instance NOME.
Rota VPNv4 inativaSem LSP até a loopback do PE remoto.Conferir LDP e o LSP /32.
Configuração não aplicada no NEFaltou commit no VRP8.Rodar commit.
CE BGP sem rotas do outro siteO CE do outro site sem network ou sem a LAN na tabela.Conferir o network no CE.
Extranet leva tráfego ao cliente erradoPrefixo sobreposto entre VRFs.Renumerar ou fazer NAT.
BETA sem rota do link PE-CE remotoFalta import-route direct.Adicionar na ipv4-family vpn-instance.

Se o cliente chegar com dois links no mesmo PE, junte-os num Eth-Trunk e crie a subinterface da VRF sobre ele; o LACP é o mesmo da agregação de link entre OLT e switch Huawei.

Boas práticas: plano de RD, RT e nomes de VRF

Em L3VPN Huawei com dezenas de clientes, a planilha nasce antes do primeiro comando. O plano do laboratório:

VRFClienteRDRTVLANObservação
CORP-ALFACliente Alfa64500:10164500:101 (+ 900/901)101BGP no CE, extranet
CORP-BETACliente Beta64500:10264500:102102Estática, LAN sobreposta
SERVICOSProvedor64500:900exp 900 / imp 901porta físicaDNS e monitoramento
GERENCIAProvedor64500:95064500:950950Acesso a CPEs
  • Use o ID do cliente no sistema de cobrança como número do RD e do RT.
  • Escreva o nome da VRF em maiúsculas com o nome do cliente, como CORP-ALFA.
  • Coloque description na VRF, na subinterface e no peer BGP.
  • Configure routing-table limit em toda VRF.
  • Use route reflector com mais de quatro PEs, em vez de full mesh de VPNv4.
  • Registre VRF, RD, RT e VLAN no NetBox no dia da ativação.

Perguntas frequentes sobre MPLS L3VPN Huawei

Qual a diferença entre VRF e VRF-lite?

VRF-lite é a tabela separada sem MPLS nem BGP VPNv4: cada VRF precisa de uma VLAN própria em cada enlace. No L3VPN Huawei o RD, o RT e o label levam a VRF pelo backbone sem tocar nos roteadores P.

RD e RT podem ter o mesmo valor?

Podem, e neste tutorial têm; quem decide a importação é o RT. Na extranet a VRF ganha RTs extras, e aí o valor do RD coincide com só um deles.

O roteador P precisa de configuração de VRF?

Não. O P só comuta labels (neste lab, retira o de transporte por PHP) e precisa apenas de OSPF, MPLS e LDP. A configuração do P-CORE acima não tem VRF nem BGP.

Dá para fazer L3VPN no S6730?

Dá. O S6730-H atua como PE, com a VRF vinculada numa Vlanif. Confira licença e limite de VRFs do modelo antes de vender o serviço. O mesmo switch foi PE de VPLS neste outro tutorial.

Como o cliente acessa a internet estando numa VRF?

Três caminhos: uma VRF de internet que exporta a default para a VRF do cliente; uma estática na VRF apontando para a tabela global (leak de default); ou uma sessão separada, em outra VLAN, na tabela global. Para cliente corporativo, a sessão separada é a que eu recomendo, porque deixa cada contrato de banda claro.

Quantas VRFs cabem num PE?

Depende do modelo, da placa e da licença; no S6730 o número é bem menor que no NE8000. O limite prático é memória de rotas: some o routing-table limit das VRFs e compare com a documentação.

Conclusão

Com backbone MPLS e LDP funcionando, o L3VPN Huawei se resume a VRF com RD e RT, vínculo da interface, sessão VPNv4 entre os PEs e o PE-CE de cada cliente. Extranet, limite de rotas e o BRAS em AS privado são variações do mesmo mecanismo. A base está na RFC 4364, o transporte multiprotocolo na RFC 4760 e os limites de cada modelo na documentação da Huawei. Se o cliente precisa de camada 2, o L2VC continua sendo a resposta.

Monte tudo em laboratório antes, principalmente a parte do BRAS. Se você já roda VRF com BRAS em AS privado e escolheu outro caminho, ou travou em algum passo, conte nos comentários com o modelo e a versão do VRP.

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Sobre o autor

Ivan Alves

Especialista em redes de provedores (ISP)

Ivan Alves trabalha há mais de 15 anos com redes de provedores de internet, do NOC ao backbone e à borda BGP. Coordena infraestrutura e tecnologia em um provedor regional e escreve aqui os tutoriais que gostaria de ter encontrado quando começou: comandos testados, cenário explicado e o porquê de cada linha.

3 Comentários

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